segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Justiça no atacado



Por se tratar do primeiro texto deste blog, tentarei não assustar os que se arriscaram a conhecê-lo, tentando driblar a linguagem técnica e ser o menos chato possível.

Bem, depois de algumas experiências com a atividade jurídica, me chamou a atenção um fato curioso: a mania que os julgadores têm de pré-condicionar, ou melhor, pré-conceituar a apreciação dos casos que lhe aparecem.

Sei que é difícil, senão impossível algumas vezes, a tarefa de se tomar uma decisão sobre algo importante ou fundamental à vida alheia, no entanto, paralelamente a isso, acredito ser mais difícil ainda conseguir se despir da sensibilidade humana a ponto de se simplesmente dizer: “casos assim eu julgo desta maneira”.

Como se sabe, as relações humanas são sempre marcadas por várias peculiaridades, sendo raros os aspectos que se pode antever.

Logo, por mais experiente que seja uma pessoa (a raça humana toda junta tem milhares de anos, e ainda comete atrocidades. Imaginemos uma pessoa isoladamente...), é impossível que ela goze da capacidade de, tendo em mãos determinado fato oriundo de uma ação humana, saber, com uma visão superficial acerca do ocorrido, qual a resolução jurídica para aquilo.

Mas de onde viria tamanha presunção de nossos julgadores?

Quando me veio à mente esse questionamento, logo lembrei do que muitas vezes escutei a tia Marillac falar, lá no Ipu: “...a pessoa é uma folha em branco...”.

É óbvio que o ser humano não se resume a uma folha de papel em branco, como se fosse tão-somente produto do meio.

Mas é certo que somos, uns mais e outros menos, influenciáveis pelo meio em que vivemos.

Logo, olhando ao redor, para fora das salas de tribunais e juizados, noto que a mania de pré-julgar é ensinamento que os Exmos. Srs. Drs. aprenderam conosco, ou seja, com toda a coletividade.

Quem nunca presumiu algo sobre alguém, seja pela sua roupa, aparência física, bairro em que mora ou até mesmo pelo seu jeito de dirigir?

E não adianta nem pensar que, por serem bem remunerados, os juízes têm a obrigação de serem diferentes, pois não há dinheiro que suplante essa característica social do homem.

Como diria Renato Russo, vamos celebrar a estupidez humana!

Josafá

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